III Tratamento
Um conservador-restaurador tem que ter em conta a identidade individual de cada peça e o contexto em que estão inseridas, sempre no restrito cumprimento da ética profissional defendida por toda a Europa, na delineação do tratamento.
A escultura etnográfica tem contextos muito especiais. Executadas predominantemente por materiais que a Mãe Natureza lhes oferece e por técnicas extremamente tradicionais, estas esculturas sofrem muitas vezes de um grau de fragilidade enorme. A frequente inclusão de objectos do uso corrente da vida civilizada (pregos, garrafas, embalagens de plástico, chapa metálicas, espelhos, botões, etc) e encontrados por estes povos poderá constituir focos de deterioração, uma vez que estão a ser utilizados com um objectivo para o qual não foram concebidos. A intensa utilização destes objectos nos rituais poderá também contribuir para a comum fragilidade destes objectos.
Detentor de uma colecção de desassete esculturas que foi adquirindo quando residia em Angola, o proprietário decidiu restutuir-lhe a dignidade que merecem, depois de tão atribulado percurso, onde se incluiu uma viagem delicada, longos anos esquecidas no fundos dos caixotes e as brincadeiras de crianças.
Constituindo um importante documento comportamental de um povo, qualquer intervenção poderá fazer desaparecer importantes testemunhos. Assim, o Princípio da Intervenção Mínima é frequentemente a base dos tratamentos de bens etnográfico.
Assim, as esculturas foram limpas cuidadosamente de modo a não remover vestígios da sua utilização, desisfestadas e as bases destacadas fixas.
Local: Atelier próprio
Intervenientes: André Varela Remígio