III Tratamento
Um conservador-restaurador tem que ter em conta a identidade individual de cada peça e o contexto em que estão inseridas, sempre no restrito cumprimento da ética profissional defendida por toda a Europa, na delineação do tratamento.
A escultura etnográfica tem contextos muito especiais. Executadas predominantemente por materiais que a Mãe Natureza lhes oferece e por técnicas extremamente tradicionais, estas esculturas sofrem muitas vezes de um grau de fragilidade enorme. A frequente inclusão de objectos do uso corrente da vida civilizada (pregos, garrafas, embalagens de plástico, chapa metálicas, espelhos, botões, etc) e encontrados por estes povos poderá constituir focos de deterioração, uma vez que estão a ser utilizados com um objectivo para o qual não foram concebidos. A intensa utilização destes objectos nos rituais poderá também contribuir para a comum fragilidade destes objectos.
Constatando que a escultura cobriu-se com uma camada esbranquiçada num curto espaço de tempo, o proprietário recorreu rapidamente aos nossos serviços. Sendo a escultura efectuada por materiais orgânicos e estando em pleno Inverno, verificou-se que esta tinha sido vítima de um ataque fúngico.
Constituindo um importante documento comportamental de um povo, qualquer intervenção poderá fazer desaparecer importantes testemunhos. Assim, o Princípio da Intervenção Mínima é frequentemente a base dos tratamentos de bens etnográfico.
A camada de fungos foi removida e, tendo em conta o ambiente frequentemente com elevados valores de humidade relativa, foi aplicado um tratamento anti-fungico de modo curativo e preventivo.
Local: Atelier próprio
Intervenientes: André Varela Remígio