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Virgem Maria   E-mail 


I Identificação

Sub-categoria: Escultura de Vulto

Denominação/Título: Virgem Maria/Nossa Senhora de Fátima

 

Autoria/Produção: Autor desconhecido/Portugal

 

Datação: Séc. XX

 

Materiais: Madeira policromada 

 

Dimensões: 106 cm x 46cm x 20 cm

 

Proprietário: Congregação das Missionárias Dominicanas do Rosário

 

Localização: Amadora, Centro Social do Bairro 6 de Maio

 

Intervenções Posteriores: Foram detectados vários repintes pontuais.

 

 

II Estado de Conservação

 

Suporte: Razoável

  • Faltas pontuais de suporte provocado pelo mau manuseamento;
  • Carbonização pontual do suporte.

Revestimento:

  • Lacunas pontuais;
  • Falta de adesão da policromia na forma de levantamentos e empolamento, provocada pela acção do fogo,  alguns de áreas bastantes consideráveis, o que consistia um perigo eminente e poderia originar a sua perda total num curto espaço de tempo;
  • Policromia queimada;
  • Camada de sujidade extremamente densa sobre toda a superfície.

 

III Tratamento

 

O que constitui uma obra de arte poderá ser uma discussão muito subjectiva na História da Arte, mas completamente irrelevante na Conservação e Restauro. Nesta disciplina, estuda-se a materialidade das peças, procura-se produto e técnicas para as tratar e posteriormente trata das peças, sejam elas evidentes obras de arte ou não.

 

Exemplo disso é esta comum escultura representando Nossa Senhora de Fátima. Poderá estar longe de ser considerada uma obra de arte tal como as magníficas esculturas de séculos anteriores, mas os procedimentos a ter perante todas elas durante os seus tratamentos de Conservação e Restauro são muito semelhantes.

 

Esta escultura poderá ser vulgar esteticamente, igual a tantas centenas de esculturas de fabrico em série, mas muito singular pela sua história individual.

 

Tendo sido adquirida pela população de um bairro desfavorecido e doada ao convento das dominicanas que fica na sua vizinhança, a imagem  de Nossa Senhora de Fátima era frequentemente levada de casa em casa. Numa dessas estadias, uma vela no altar improvisado foi acesa para que a Nossa Senhora não ficasse sozinha na ausência da crente.

 

Má companhia foi. A pequena chama da vela foi aumentando à medida que ia queimando a própria imagem, o mobiliário, os cortinados e a própria barraca no centro de centenas de outras. O bem intensionado gesto da velha senhora poderia ter causado graves danos.

 

Não bastava pelo que tinha passado, a Nossa Senhora de Fátima foi colocada nas mãos de um habilidoso do bairro para a tentar ocultar os danos sofridos. Não só não melhorou, como piorou e bastante a já tão danificada imagem.

 

Perante tão massacrada imagem, tão inconsolável população e tão desgostosa congregação, foi efectuado um tratamento de modo a estabilizar os danos causados pelo fogo e pela intervenção posterior e com algumas operações de restauro de modo a repor parte da imagem inicial. Mas não totalmente, para não apagar este episódio da memória de todos, pediram as irmãs.

  

Local: Atelier próprio

 

Intervenientes: André Varela Remígio

Ano: 2004