Perante esta escultura de grandes dimensões e sujeita a várias intervenções posteriores, optou-se por um tratamento que privilegiava essencialmente a restituição da sua harmonia estética desrestaurando e rerestaurando segundo os critérios internacionalmente defendidos.
Assim, o suporte foi a desinfestado, consolidado pontualmente e limpo. A repolicromia total de natureza plástica aplicada sobre os panejamentos e a camada de goma laca extremamente alterada aplicada sobre as carnações e estofado foram removidos. A policromia subjacente foi então fixa, nivelada e limpa. Algumas lacunas da policromia e do estofado mais importantes foram reintegradas.
O processo de desrestaurar (remoção de intervenções posteriores) por se demonstrarem não ser as mais correctas seguido de um rerestauro (um novo tratamento de Conservação e Restauro, substituindo um existente) é uma possibilidade que deverá ser considerada num tratamento de Conservação e Restauro, uma vez que poderá restituir uma certa coerência à peça.
O conservador-restaurador tem que ter sempre em conta o contexto em que a peça está inserida na definição do seu tratamento de Conservação e Restauro. Ao contrário do que se possa pensar, as peças pertencentes a antiquários e por isso com um cariz comercial e decorativo muitíssimo acentuado não terão que ter obrigatoriamente um tratamento diferente dos tratamentos sujeitos a peças museológicas.
Um coleccionador esclarecido tem como principal objectivo a aquisição de peças de boa qualidade técnica, estética, formal, escultórica, iconográfica e não apenas o mero valor decorativo. A materialização do Tempo nas peças é essencial para sua a identidade e autênticidade.
Peças com um, dois, três quatro ou cinco séculos que se apresentem em aparente excelente estado de conservação deverão levantar muitas dúvidas facilmente esclarecidas por meios de métodos de exame e análise à fácil disposição de qualquer pessoa.
Recorra aos conselhos de um conservador-restaurador!!