I Identificação
Sub-categoria: Escultura de vulto
Denominação/Título: Virgem das Dores/Nossa Senhora das Dores
Autoria/Produção: Autor desconhecido/Portugal (?)
Datação: Séc. XVIII
Materiais: Madeira policromada, estofada e prateada (base)
Dimensões: 50 cm x 20cm x 150 cm (dimensões aproximadas)
Proprietário: Setúbal, coleccionador particular
Intervenções Posteriores: Foram detectadas várias intervenções posteriores, como uma repolicromia parcial (carnações), a aplicação da base (séc. XIX) prateada revestida com goma laca de modo a imitar um dourado e a fixação das mãos com uma cola acrílica. Não sendo a base muito provavelmente original e atendendo à sua representação iconográfica, é de ponderar a hipótese desta escultura ter pertencido a um conjunto escultórico, representando o Calvário.
II Estado de Conservação
Suporte: Razoável
- Ataque ligeiro do insecto xilófago;
- Fissuras provocadas pelos movimentos naturais da madeira, quando em presença de ambientes instáveis;
- Deposição de sujidade, o que constituía um ambiente propício para o ataque biológico.
Revestimento: Muito Mau
- Lacunas em quantidade considerável e de dimensões razoáveis, principalmente as localizadas no seu colo que terão sido provocadas pela exposição directa de escorrências de água;
- Rede de microfissuras;
- Falta de adesão das policromias na forma de levantamentos, alguns de áreas bastantes consideráveis, o que consistia um perigo eminente e poderia originar a sua perda total num curto espaço de tempo;
- Escorrências de grandes dimensões sobre o estofado da cola utilizada na fixação das mão numa das intervenções posteriores a que a escultura esteve sujeita;
- Camada de sujidade extremamente densa e poeiras sobre toda a superfície.
III Tratamento
Embora esta escultura aparentasse um bom estado de conservação, o proprietário recorreu aos nossos serviços de modo a que este fosse confirmado, uma vez que se tratava de uma peça que lhe era muito especial. Verificou-se que o estado de conservação desta peça estava longe do pensado e desejado.
A escultura estava em muito mau estado de conservação, principalmente ao nível do revestimento, parcialmete devido a algumas intervenções posteriores que adulteravam a composição material da escultura.
Assim e para descanso do proprietário, o revestimento da escultura foi sujeito a uma limpeza, fixação e nivelamento. Algumas das suas lacunas mais importantes foram integradas cromaticamente.
Esta escultura é um exemplo de que uma obra de arte antiga necessita de uma manutenção especializada, uma atenção permanente e que os proprietários não deverão recorrer apenas aos serviços de um conservador-restaurador em último caso.
A Conservação e Restauro é muito mais que “pintar bocadinhos de tintas que faltam”, "fazer uma mãozinha perdida" ou colar um braço partido.
Apenas conservadores-restauradores devidamente qualificados e especializados academicamente poderão avaliar o estado de conservação de uma peça e definir o tratamento a aplicar.
Local: Atelier próprio
Intervenientes: André Varela Remígio
Ano: 2001
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