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I Identificação
Sub-categoria: Escultura de vulto
Denominação/Título: São José
Autoria/Produção: Autor desconhecido/Portugal
Datação: Séc. XVII/XVIII
Materiais: Madeira policromada e estofada
Dimensões: 106 cm x 46cm x 20 cm
Proprietário: Oeiras, Colecção Sr. Dr. Macieira Coelho
Intervenções Posteriores: Foi detectada uma repolicromia parcial (carnações e cabelos), a execução posterior do braço e da perna direitos do Menino e do dedo mínimo da mão direita do santoe a aplicação de uma camada de goma laca
II Estado de Conservação
Suporte: Mau
- Ataque do insecto xilófago, o que fragilizava a resistência da madeira;
- Fracturas do braço esquerdo do Santo e do pescoço do Menino;
- Fissuras provocadas pelos diferentes movimentos naturais dos diferentes elementos do suporte;
- Deposição de sujidade, poeiras e os mais variados detritos, o que constituía um ambiente propício para o ataque biológico.
Revestimento:
- Lacunas em grande quantidade e de grandes dimensões por toda a superfície;
- Falta de adesão da policromia e do estofado na forma de levantamentos de áreas bastantes consideráveis, o que consistia um perigo eminente e poderia originar a sua perda total num curto espaço de tempo;
- Rede de microfissuras;
- Colonização activa de várias espécies biológicas nas zonas mais recôndidas;
- Alteração cromática da camada de goma laca;
- Camada de sujidade extremamente densa, poeiras e os mais variados detritos sobre toda a superfície.
III Tratamento
Vítima de uma queda provocada pelas diabruras naturais das crianças, esta escultura sofreu a fractura do braço direito do São José e do pescoço do Menino Jesus. Perante tal cenário, o proprietário decidiu e bem chamar um conservador-restaurador devidamente qualificado e espacializado.
Esta escultura de excelente qualidade não só se encontrava fracturada, mas também padecendo de alguns danos graves, pelo que se propôs um tratamento completo que privilegiaria as operações de Conservação e que incluísse a integração cromática de algumas das lacunas.
Assim, o suporte foi sujeito a uma desinfestação como medida curativa e preventiva, consolidação e limpeza. A policromia e o estofado foram sujeitos a uma fixação e limpeza. A camada de goma laca foi removida, uma vez que se encontrava extremamente alterada cromaticamente, adulterando as cores das camadas pictóricas e ocultando o ouro do estofado.
Uma escultura vive essencialmente da sua tridimensionalidade, tendo os revestimentos um papel essencialmente decorativo e complementar à composição escultórica. Muitas vezes quando há perda de revestimento, poderá não haver perda de leitura da composição escultórica.
Não havendo qualquer necessidade de integrar a totalidade das inúmeras lacunas da policromia e do estofado, optou-se apenas pelo nivelamento e integração das mais significativas e localizadas nas carnações, uma vez que são as zonas mais importantes numa escultura religiosa.
O rosto de uma escultura religiosa, em culto ou não, constituirá grande parte da atenção do leitor, do crente. Uma imagem poderá não ter dedos, mãos ou até braços, mas com um rosto muito lacunado perde grande parte da sua mensagem e da dignidade que merece.
Local: Atelier próprio
Intervenientes: André Varela Remígio
Ano: 2004 |